Ouça duas músicas do álbum "Plim", de Sergio Machado, com Criolo e Tulipa

Adriana Terra / May 27, 2016

Plim é o nome do projeto do baterista, compositor e produtor Sergio Machado, músico dos mais atuantes na cena contemporânea brasileira.

Gravado de forma independente entre 2014 e 2015, "Plim" acaba de tomar forma. O trabalho de Sergio -- que nos últimos anos vem colaborando com Metá Metá, Emicida, Siba e Rael, entre outros -- vem com forte influência de compositores de trilhas de desenhos, séries e filmes. Entre os nomes dessa listinha, ele cita Ennio Morricone, Lalo Schifrin, Sun Ra.

O disco conta também com uma série de participações especiais: há faixas com Criolo, Tulipa Ruiz, Juçara Marçal, Thiago França e Kiko Dinucci, todos já parceiros de Serginho na música há um tempo.

Nos vídeos abaixo, Criolo e Tulipa falam um pouco sobre as colaborações -- que inclusive se deram na composição. Na sequência, leia entrevista com Sergio, ouça as duas faixas nas quais eles participam e já se prepare pro show: no próximo dia 3 tem lançamento de "Plim" no Serralheria (rua Guaiacurus, 857), em São Paulo.

Serginho, se você puder comentar um pouco sua trajetória... Você toca com um monte de gente que vem produzindo muito na cena nacional nos últimos anos: como essas parcerias e colaborações foram rolando, como foi seu início na música -- seja como baterista, compositor ou produtor?

Eu comecei a tocar muito cedo, família de músicos, sempre rolava muita música em casa. Mais tarde já tocando profissionalmente não foi diferente, ao mesmo tempo que tocava com músicos e artistas consagrados como Dominguinhos, Toninho Horta e Ney Matogrosso, tocava com artistas que estavam despontando na cena como a cantora Céu. Daí segue uma lista extensa de artistas com quem gravei e toquei nestes últimos anos. Metá Metá, Criolo, Tulipa, Kiko Dinucci, Siba, Raul de Souza, João Donato, Gilberto Gil, MC Thaíde, Sombra, Emicida, Ron Carter, Mulatu Astake, Tony Allen, entre outros.

Produzir e compor já é algo mais recente. Minhas primeiras referências com relação a isso foram Beto Villares e Antonio Pinto, que na época estavam produzindo o primeiro disco da Céu. Foi novidade ver os caras trabalhando com computadores, samplers e combinando isso com os músicos. Passados uns anos comprei um computador e uma placa de áudio e comecei a gravar algumas coisas. O resultado disso foi o disco da banda Afroelectro que produzi junto com Michael Ruzitsckha em 2012, que contou com participações de Chico Cesar, Siba e Kiko Dinucci.

Entrando no universo de Plim: quando a ideia de realizar esse projeto surgiu e como foi o processo até a gravação, pensar nas colaborações...?

Comecei a gravar as músicas desse disco em 2013 na minha casa. Tinha uns pedaços aqui e outros ali, comecei a ver quais combinavam mais e foi indo assim até o começo de 2014, quando decidi fechar as músicas. Não queria gravar um disco de baterista, queria gravar um disco de experimentos com composição e produção. Eu já queria gravar "Cha Cha Malícia" (Michel Leme) e "Mãe da Vertigem" (Kiko Dinucci), a partir disso foi ver o que eu tinha que combinava com essas duas músicas.

Eu acho "Plim" um disco esquisito e eu ADORO isso! Todos os músicos e artistas que chamei interagem com ideias esquisitas naturalmente. Por isso, "Plim" tem esse universo meio cartoon, chegou nesse lugar de maneira natural. O Criolo criou uma fábula praticamente de improviso pra música "O Homem e o Rato", a Tulipa  levantou todos os bancos de sons e samplers do celular dela pra música "Gelo", a Juçara Marçal interpretando daquele jeito em "Delírio", o Kiko Dinucci dando uns berros em "Mãe da Vertigem"... Enfim, tudo muito natural para essas figuras eu não pedi nada para eles, simplesmente gravei.

Você cita diversos compositores de trilhas de filmes e desenhos entre as influências. Esse lado jazz meio cartoon, climático de trilhas, é uma coisa que você estava a fim de explorar faz tempo?

Sou fanático por trilhas de desenhos e filmes. O último filme que vi com uma trilha incrível foi "Os Oito Odiados" (Quentin Tarantino). A trilha do Enio Morricone é simplesmente inacreditável! Eu acabei de comprar uma edição em vinil duplo dessa trilha em Londres. Essa ideia de misturar esses universos do cartoon com improvisação foi algo que chegamos naturalmente no disco, não tinha pensado nisso.

Eu tenho um duo com Thiago França e a gente também desenvolve esse cenário. "Plim", que é a música que leva o nome do disco e do projeto, foi totalmente inspirada nas trilhas do Pica Pau com a Mini Ranheta, a gente compôs para o nosso duo, eu já estava gravando o disco quando falei pro Thiago que essa música tinha que estar no "meu" disco! Hehehe... Chamei o guitarrista Guilherme Held e o violinista Ricardo Hertz para somarem na ideia, fiz um arranjo de cordas e desenvolvi outras texturas com o Guilherme.

"Aerolitos" foi totalmente inspirada nas trilhas do Chapolin! Eu compus ela toda no Fender Rhodes, depois escrevi uns arranjos com trompas. Ela tem uma nostalgia, uma pureza que, depois que compus, encontrei a referência nas minhas lembranças.

Como vão ser os shows, como será a formação da banda?

Eu já estou ensaiando com a banda faz pouco mais de um mês. O disco tem várias formações distintas, por um momento pensei que fosse ficar complexo ter que fazer tudo igual. Depois de uns ensaios achamos algumas formas de fazer as coisas, substituir determinados instrumentos, usar samplers. Eu acho que a gente tá chegando num resultado muito legal ao vivo.

Esse show é mais para desenvolver esse começo com esse grupo, que conta com João Deogracias na guitarra e nos samplers, Nenê Viana no Baixo acústico, Richard Firmino tocando clarone, flautas e sax, Allan Abadia no trombone e Amilcar Rodrigues no trompete. Para esse show focaremos no desenvolvimento desse grupo. Celebraremos as participações do disco no próximo show, já estamos negociando as datas para ter todo mundo!

Quer ouvir o disco todo? Acesse: www.plimmusic.com