Exclusivo: ouça “Parallax”, o novo single da INKY

Vinicius Felix / June 30, 2016

A descrição da INKY em suas redes sociais avisa: “This is not electro/This is rock n roll”. Sendo assim, faz todo sentido o caminho que a banda pega para o sucessor de seu álbum de estreia, "Primal Swag", de 2014.

Mais experientes e com mais estrada, incluindo uma passagem pelo Primavera Sound, a banda volta com um som mais orgânico, esquizofrênico, pesado e também mais brasileiro.

Todo os indícios dos novos caminhos de Luiza Pereira, Guilherme Silva, Stephan Feitsma e Luccas Villela estão no single "Parallax”. Assim como o álbum todo, o novo som foi gravado no Red Bull Studios São Paulo com a produção de Guilherme Kastrup, o mesmo cara que produziu um dos discos mais elogiados dos últimos meses, "A Mulher do Fim do Mundo”, de Elza Soares.

Ouça "Parallax":

Para saber mais sobre o novo single, novo disco e as novas experiências da INKY, batemos um papo com a vocalista Luiza Pereira. 

Qual é o recado de “Parallax”? E de onde vem o título?

Luiza Pereira: "Parallax" é um single diferente do que já mostramos até aqui. Ela dá um gostinho do que quisemos trazer pra esse disco: sobreposição de ritmos, estrutura mais orgânica, levada que remete a ritmos brasileiros, vocal "catchy", guitarras esquizofrênicas e o peso do Luccas como baterista que trouxe novos ares. Parallax é o nome que se dá pra ilusão de ótica causada por objetos em movimento em distâncias diferentes e que também é usado pra medir a distância dos astros. É uma palavra que a gente usou na letra e que sintetizava bem a música. Acho que explicar a letra soaria muito artificial, deixo isso pra interpretação de quem ouvir. Tudo que eu escrevi nesse disco vem de um lugar bem pessoal, da minha visão de mundo, minhas projeções, amor e tudo que permeia meu mundo particular. Acho legal saber que ela vai se resignificar pra cada pessoa que ler e projetar um pouco da sua realidade nela.

O que mais você pode adiantar do novo disco?

O nosso primeiro disco é mais experimental. Queríamos que ele soasse como é ao vivo, nos mantivemos fiéis a instrumentação da banda e chegamos com os arranjos prontos. As músicas são pesadas, tanto na dinâmica, como nas distorções de guitarra e synth. Poucos refrões, destacando o instrumental e construindo em cima disso. Pra esse segundo disco, quisemos trabalhar mais as músicas como canção, explorar ritmos diferentes e fugir um pouco da rigidez dos loops de synth e da estética da música eletrônica. É um outro lado do que já fazíamos, só que mais orgânico.

Onde e como vocês escreveram o segundo disco? 

Sempre compomos juntos. Fazemos uma jam e daí vamos construíndo a estrutura e os arranjos. Só a letra e as melodias de voz que ficaram por minha conta, única parte desse processo que não fizemos juntos e que foi um pouco diferente do Primal Swag. O disco foi todo feito no nosso estúdio, uns bons meses de ensaios diários no meio dos shows e turnê, alguns acompanhados do Kastrup, que ajudou muito a gente a preparar as músicas pra gravar. Foi um trabalho mais minucioso com as músicas dessa vez. Tivemos que criar e jogar muita coisa fora e trabalhar meses pra conseguir chegar onde queríamos. Trabalhar em cima de sutilezas e deixar mais espaço nas músicas.

O que você sente que mudou na banda com os shows entre um disco e outro? Tem alguma história boa de estrada que veio pras músicas novas?

Os shows ajudam no entrosamento musical, ajudam a gente a crescer como músico e trazer um pouco da performance de palco pra composição. As histórias da estrada não vêm como tema direto das letras, mas são parte da nossa experiencia pessoal que se transforma em música e letra.

Quais discos e shows fizeram a cabeça da banda nesse período?

A gente tem sorte de tocar em festivais com bandas que a gente gosta muito. Ver bandas como o Radiohead ou mesmo bandas independentes de outros lugares é muito inspirador e desafia a gente a crescer musicalmente e buscar outros caminhos. Cada um de nós tem referências diferentes, vira e mexe aparece alguém com um disco que (re)descobriu e que acaba nos influenciando de alguma maneira. Acho que ouvimos bastante da música alternativa dos anos 90 e também do funk e rock, é claro. Posso falar que a gente tentou pegar um pouco da polirritmia do jazz e da música africana, timbres que vão da psicodelia ao disco-punk e uma boa dose de inspiração em bandas como Massive Attack, Radiohead, King Gizzard and The Lizzard Wizzard , Talking Heads, Bjork...

Foto: Felipe Gabriel / Red Bull Content Pool