É na pista que os encontros acontecem

Daniela Gomes / September 01, 2015

O produtor português Branko cruzou o oceano em busca de inspiração e novos sons e encontrou o Marginal Men. A dupla de DJs e produtores, Gustavo Elsas e Pedro Fontes, conta como se deu esse encontro

Batidas pesadas que empolgam tanto pela marcação forte quanto pela combinação inesperada, afinal, não é todo dia que a música eletrônica e o funk brasileiro se encontram. Mas é só ouvir a versão de "Louca", apresentada por Branko, para perceber que a mistura deu certo. O som, que além do DJ e produtor Português, reúne também o funkeiro Mc Bin Laden e a dupla Marginal Men, remete a tendência do Global Bass de unir os melhores beats que se pode encontrar e fazer a pista ferver.

Destaque na noite brasileira com a festa Wobble, o Marginal Men, composto pela dupla Gustavo Elsas e Pedro Fontes, traz em seu trabalho esa busca por uma diversidade que consegue agradar diferentes tribos. E foi assim que eles chamaram a atenção de Branko, cujo som apresenta essa mesma tendência, de buscar o que a música mundial tem de melhor e compor algo único.

O ENCONTRO – SOBRE BRANKO E MARGINAL MEN

Pedro Fontes – O Branko fez uma pesquisa das coisas aqui do Brasil e entrou em contato com a gente, não foi nenhum amigo em comum, né, Gustavo?
Gustavo Elsas – A verdade é que até temos alguns amigos em comum, que já tinham comentado que o Branko ouvia o nosso som. Ele já tinha comentado sobre a gente em entrevistas, mas quando ele decidiu fazer este projeto aqui no Brasil entrou em contato com a gente pelo SoundCloud, pois conhecia o nosso trabalho na festa Wobble.

BATIDAS CRUZADAS

​Pedro - A gente está na mesma área do global Bass escutando música de vários lugares do mundo. Tem uma estética diferente e tem várias coisas em comum. Ele com o Kuduro, lá em Portugal, e isso se relaciona com o baile funk daqui. Ele se interessa pelas zonas de produção de vários locais, acho que essa é a interlocução.
Gustavo - Nós misturamos beats de vários lugares e o Branko tem também essa mesma mentalidade. A gente já conhecia o trabalho dele e acompanha há algum tempo. Eu gosto muito da história da parceria com o Branko, foram muitas coincidências que tornam a história um pouco engraçada até.
Pedro - A gente não esperava, começamos a conversar com ele sobre as possíveis parcerias que fariamos aqui no Brasil e por coincidência a gente estava junto com MC Bin Laden nessa mesma época, por causa das festas, em um trabalho que faziamos há meses: indo atrás do Bin Laden para trazer ele pras festas.

ELOS INVISÍVEIS 

Pedro - Essa característica de trabalhar com ritmos africanos que o Branko apresenta está no funk também, a gente se encontra aí - está no Kuduro e no beat do funk daqui. Está em como o funk se relaciona com o samba, principalmente no funk aqui do Rio de Janeiro, em que os MCs da escola mais antiga cantam com os puxadores, os sambistas.
Gustavo - A cultura africana está envolvida no funk desde o começo, essa é a conexão que a gente tem com o Branko. Acho que ele veio procurar na gente o lado afro-brasileiro da música, digamos assim. 

PRÓXIMOS DO PÚBLICO

Pedro - O momento em que a gente realmente se aproximou do nosso público foi no final de 2012, quando começamos a fazer mais festa na rua. Começamos primeiro fazendo uma festa consagrada aqui no Rio de Janeiro e depois, passamos a fazer nossas próprias festas na rua. Diferente dos clubes, nessas festas você conversa com as pessoas, é mais fácil de manter o contato. Elas costumam acontecer das 5h às 10h da noite e foi ali que começou esse diálogo mais informal. Tem o mestre de cerimônias, que é Dj da Wobble também, e ele tem uma forma de comunicação tranquila que também cria esse clima.

SOBRE RODAR O MUNDO

Gustavo -  A gente sempre cria metas. O nosso trabalho, apesar de ser um vamos que vamos - vamos seguir, vamos fazendo - sempre procuramos traçar metas e planejar, ser uma confusão organizada, digamos assim. Ano passado alcançamos o que queríamos que era tocar no sudeste inteiro e até ultrapassamos, tocamos no sul inteiro e em Brasília. Agora estamos fazendo o nordeste e tentando ir pra América do Sul. Tocar no Boiler Room e essa produção com o Branko vai dar esse espaço, ajudar a gente a entrar na América do Sul e seguir para fora. A gente espera.

Veja como foi este encontro no segundo episódio da série "Atlas Unfolded", que acompanha Branko pelo mundo durante a produção de seu primeiro álbum solo.

Confira a agenda Marginal Men:

04/09 - boiler room sp
05 /09 - (w) no secreto
06 /09- (w) na fosfo
10 /09- invdrs em cwb
11 /09- joão pessoa
​12 /09- jd festival em recife